A importância dos contos de fada

Posted by on junho 2, 2014 in TEXTOS EXTRAS

A importância dos contos de fada

A ORIGEM DOS CONTOS DE FADA

A origem remonta à mitologia que é muito mais antiga que qualquer história já contada.

A palavra FADA, se origina do latim FATUM (destino). O DESTINO OU FATALIDADE era representada na Grécia antiga pelas três deusas Moiras (ou Parcas) que são: CLOTO, que fabrica o fio da existência, LÁQUESIS, que desenrola este fio e ÁTRODOS que corta-o. Essas três deusas eram representadas como damas sombrias que tinham o compromisso de ditar o destino de todos os seres, inclusive dos deuses, não sendo nem questionadas por Zeus.

Elas tecem um tear especial, a Roda da Fortuna. Ao enrolar os fios da vida, cada pessoa pode se encontrar numa posição privilegiada no alto da roda, na posição de fortuna ou menos desejada, na parte de baixo da roda que vai simbolizar também os momentos de má sorte.

O destino deve ser enfrentado e com isso, desenvolve-se o caráter, onde determinadas tendências serão confrontadas para serem modificadas ou não. Este é o caminho para a individuação, que é o que nos vai caracterizar como indivíduos únicos.

Através dos tempos teremos:

– também várias histórias eram contadas com a família reunida ao lado do fogo nas noites de inverno, enquanto as mulheres fiavam. Este momento era aproveitado para a transmissão dos valores dos grupos sociais. Essas narrativas continham formas simbólicas que eram vestígios de antigas crenças que estavam esquecidas;

– como antigamente os pastores e caçadores passavam a maior parte do tempo sozinhos nas montanhas e florestas, era comum eles terem visões ou sonhos que surgiam repentinamente e que eles terminavam relatando em suas aldeias a todas as pessoas que os quisessem ouvir. Daquela visão inicial, formavam-se as lendas e depois os contos.

– no século XII, com as aventuras do rei Artur e seus cavaleiros, com a figura da fada Viviana que vive várias transformações ao longo da história: protetora, companheira e sedutora maligna. Neste mesmo século, na França, houve um interesse em diluir a cultura céltico-bretã para a entrada do cristianismo;

– no século XVII, na França, surgiram as versões infantis que hoje são consideradas clássicas realizadas por Charles Perrault;

– no século XVIII, na Alemanha, teve início a preocupação em relação ao conhecimento científico das diversas narrativas populares que eram transmitidas oralmente de uma geração para outra;

– a popularização dos contos de fada em literatura infantil, só ocorreu no século XIX com os vendedores ambulantes que vendiam de tudo inclusive histórias simplificadas do folclore e contos de fada;

– no início do século XIX após a Revolução Francesa, no início, os irmãos Grimm fazem uma coleta das antigas histórias populares dando ênfase no que havia de mais típico no povo alemão. Publicaram uma coletânea de cem contos denominada Contos de fadas para crianças e adultos;

– também no século XIX (entre 1835 e 1872), Andersen escreveu cerca de duzentos contos infantis, parte deles retirados da cultura popular e parte de sua própria história, onde foi consagrado como o verdadeiro criador da literatura infantil;

– na segunda metade do século XIX, onde se iniciou um ciclo de decadência dos contos de fada, surge em 1865, Lewis Carroll com “Alice no País da Maravilhas” e em 1883, Carlo Collodi com “Pinóquio”;

A IMPORTÂNCIA DOS CONTOS DE FADA

Os contos são antes de tudo, um objeto cultural e artístico e portanto dotado de criatividade.

Atualmente há uma resistência do homem moderno para entrar em contato com sua realidade psíquica. Os contos de fada vão proporcionar uma tentativa de retorno à natureza, às suas raízes inconscientes para um possível resgate com a magia, com o sobrenatural que foi tão sufocado pela intelectualidade.

Os contos de fada numa visão junguiana, são uma representação simbólica dos problemas gerais humanos e suas possíveis soluções. Jung disse uma vez que “é nos contos de fada onde melhor se pode estudar a anatomia comparada da psique”, ou seja, é através deles que é possível tomar consciência trazendo arquétipos e imagens arquetípicas com suas sensações e sentimentos que estão no inconsciente coletivo, para que possa ser feita uma investigação pessoal desse material. Esse processo vai ser feito de acordo com a própria experiência psicológica de cada um.

Com relação ao medo, aprender a lidar com ele é um dos grandes desafios não somente para a fase infantil, mas também ao longo da vida de todas as pessoas. Nas histórias infantis é um dos atrativos que são oferecidos através de situações assustadoras. Apesar de tudo o que possa aparentemente representar, geralmente a criança rejeita qualquer tipo de mudança para qualquer outra história que também apresente outras ameaças. Isto se deve ao susto obtido com uma história que ela já conhece. Com isso ela pode aprender, pouco a pouco, a manejar seus sentimentos mais difíceis. Por isso, é importante analisar a tentativa atual de “purificar” enredos e personagens tradicionais imprimindo uma narrativa “politicamente ou infantilmente mais correta”, marcada por protagonistas bons e intrigas leves. Tais movimentos podem sustar o diálogo onde a criança mais precisa, ou seja, no espaço de suas fantasias mais violentas ou aterrorizantes.

Outro mérito do conto, também relacionado ao seu caráter simbólico, é poder ser utilizado conforme a necessidade de cada criança, pois o conto é uma obra aberta. A fonte é sua dimensão lúdica, diversão pura e simples, descanso da realidade e todos esses aspectos fundamentais para que a criança consiga se desenvolver e elaborar-se.

CONTOS DE FADA NA MODERNIDADE

Atualmente podemos citar os filmes, a propaganda no intuito de vender criando um “mundo mágico”, as novelas, os sonhos, as biografias, as anedotas e as diversas revistas de “fofocas”.

Todos esses contextos são os nossos contos de fada modernos, onde por algum momento esquecemos da realidade e nos envolvemos num outro mundo que pode ter ou não um final feliz. Mas quem se importa com isso? O final somos nós que fazemos, basta somente vivenciar a história em todo o seu conteúdo e escolher se vamos ou não aprendermos com ele.

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