Falando sobre obesidade!

Falando sobre obesidade!

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é considerada a epidemia do século. Segundo pesquisa realizada em 2010, considerou-se que 48,1% dos adultos estão acima do peso e 15% são considerados obesos. Geralmente os obesos recebem adjetivos como: preguiçosos, não tem força de vontade ou são acomodados. Só que as pessoas ignoram que a obesidade não é somente fisiológica. Múltiplos fatores psicológicos atuam no indivíduo obeso, onde um profissional na área da psicologia vai procurar interpretar a linguagem inconsciente que o indivíduo procurou nortear a sua vida. O ato de comer, além da função nutricional e de gerar energia para o corpo, está relacionado a uma função primitiva do ser humano: a fase oral. É através da boca que temos contato com determinados sentimentos como prazer, amor, medo, privação, etc. Geralmente a busca incessante de comida vai se apresentar como uma ferramenta de substituição para evitar o contato com determinados sentimentos que incomodam o indivíduo como frustrações, impotência e falta de esperança. Os fatores psicológicos que geralmente estão presentes na obesidade (baixa autoestima, ansiedade, culpa, depressão) estão ligados a fatores sociais e ambientais e com isso podemos dizer que não existe um perfil único para o obeso. Por exemplo, se a família de origem é obesa, há uma grande tendência da criança ser obesa e consequentemente um adulto obeso. Isto porque ele vai estar cercado de determinados hábitos alimentares que já são padrões na sua família. Quando se ignora os fatores emocionais as pessoas obesas vão viver uma luta eterna com a balança. Vão ter resultados totalmente temporários, podem passar pelo efeito “sanfona”, trazendo seguidas frustrações e fazendo com isso que cada vez mais se torne difícil o ato de emagrecer. O tratamento deve levar em consideração as necessidades individuais de cada um, suas crenças, preferências alimentares e estilo de vida além de procurar descobrir quais foram os objetivos que levaram o indivíduo a procurar perder peso como por exemplo, maior disposição, diminuição das taxas de colesterol, controle de diabetes e maior autoestima. Portanto, é muito importante levar em consideração a parte psicológica no processo de emagrecimento.. É necessário conhecer os vínculos emocionais que levaram o indivíduo à compulsão e dependência na busca pela comida, senão mesmo procurando métodos considerados definitivos como a cirurgia bariátrica, a condição de magro pode ser temporária e com isso não vai agregar nenhum valor em termos de saúde e de qualidade de vida ao...

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Transtornos da alimentação

Transtornos da alimentação

O comportamento alimentar é mais do que atender simplesmente as necessidades do organismo, pois também está ligado tanto ao prazer de experimentar algo saboroso como também ao aspecto social. As calorias são utilizadas para a manutenção do nosso corpo e também para atender as atividades do meio externo. Essas calorias vão variar de acordo com cada pessoa dependendo de sua estrutura corporal e das atividades que pratica. Se o que ela consome for maior do que ela gasta, o restante é armazenado em forma de gordura. Antigamente a comida era escassa, mas atualmente vemos uma grande diversidade de alimentos oferecidos nos supermercados fazendo com que a obesidade tenha aumentado assustadoramente chegando a ser considerada epidêmica. Ao mesmo tempo apesar de tanta oferta de alimentos temos uma preocupação com a beleza que vem também passando por transformações ao longo do tempo. Em algumas culturas antigas, as pessoas obesas eram símbolo de poder e fartura e nas mulheres em especial significava fertilidade. No entanto atualmente é valorizada a mulher magra que vai ser apresentada na mídia em geral, nos hábitos sociais e na indústria da moda. UMA ANÁLISE DA DIMENSÃO PSÍQUICA DOS TRANTORNOS ALIMENTARES Na realidade, os transtornos alimentares é multifatorial, na qual atuam vulnerabilidades e fatores predisponentes: genéticos, biológicos, temperamento, personalidade, família, estressores (sociais, perdas, lutos), etapa do ciclo vital (adolescência), cultura e dietas. A abordagem psicodinâmica refere-se a uma compreensão do psiquismo em seus processos dinâmicos. Está fundamentada nos princípios da teoria psicanalítica. Visa compreender e elaborar conflitos intrapsíquicos a serviço da reestruturação, reorganização e desenvolvimento da personalidade. O sintoma consiste em uma comunicação simbólica que oculta e ao mesmo tempo revela aspectos inconscientes sobre um conflito subjacente. A psicoterapia cria um espaço potencial para a busca de significados que permitam ao paciente sair da fixidez determinada pelos sintomas. Evidenciam-se paradoxos nos pacientes acometidos por transtornos alimentares, na alternância entre uma grande voracidade por relacionamentos em oposição à capacidade de isolamento e abandono dos mesmos. Apresentam dificuldades em encontrar uma distância suficientemente boa do outro. Os pacientes realizam viradas violentas em suas vidas: oscilam rapidamente de relações extremamente idealizadas à rupturas radicais. Reagem com hostilidade decepções, frustrações e ansiedade em decorrência do medo de separação, mas também pelo medo da intrusão. Introduzindo uma perspectiva de desenvolvimento do narcisismo, lança-se um olhar para a criança que não se vê como separada do meio ambiente, da mãe, de quem a olha e de quem a cuida. Segundo Lacan, a fase do espelho designa um momento na história do indivíduo que se inicia aos seis meses de idade até os dezoito meses, na qual a criança forma uma representação de sua imagem corporal por identificação com a imagem do outro. A imagem...

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Quando o peso vira uma obsessão

Quando o peso vira uma obsessão

Atualmente está muito difundido que para estar no peso ideal, você deve fazer um cálculo onde vão ser levados em consideração o peso mínimo e máximo em relação à sua altura (IMC). Quando se está acima desse percentual, devemos observar outros índices corporais como colesterol, diabetes, pressão e também se existem dores nas articulações, joelhos e coluna. Em compensação quando estamos magros, nos sentimos melhores, com mais autoestima, qualquer roupa “caindo” bem. Com tudo isso, muitas pessoas escolhem fazer controles rígidos com relação ao seu peso para se sentirem sempre bem, serem elogiadas, desejadas, mas muitas vezes às custas de sua própria saúde. Hoje é comum as várias ofertas de dietas, produtos que prometem resultados miraculosos em pouco tempo e sem muito esforço e vários tipos de cirurgias. Encontramos pessoas que vivem obsecadas em contar a caloria dos alimentos, se é completamente saudável e dependendo do tipo da dieta, quantos pontos eles têm. Isso vai levar essas pessoas que estão sempre preocupadas em controlar a comida que está ingerindo a desenvolver aos poucos o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), onde ela vai viver diariamente uma rotina. Por exemplo, contar as calorias do seu café da manhã, correr uns 6 km (“menos do que isso, posso engordar!”), ir para a academia e fazer umas duas aulas, contar calorias do almoço, à tarde correr mais 6 km, contar calorias no jantar e ir dormir. Isto é o equivalente a pessoa que tem TOC, abrir e fechar a porta do armário “x” vezes para se certificar que ela está bem fechada porque senão algo muito ruim pode acontecer! Os processos psíquicos neste caso vão se organizar através de princípios super rigorosos, com regras rígidas e autoritárias. Pela teoria de Freud, a mente estaria sempre procurando o princípio do prazer (ser magro, ser bonito e elogiado) e procuraria evitar o desprazer de qualquer maneira (ganhar peso e não receber elogios, por exemplo). A mente então vai desenvolver métodos que lhe garantam a sobrevivência e não necessariamente o conforto. Esta é apenas uma forma de analisar o caso pois vai depender de como se apresenta este indivíduo com relação à comida e o que ela representa para ele. Portanto, num processo terapêutico hipotético, um dos pontos que pode ser observado é procurar desenvolver o estar no mundo deste indivíduo, tratando qualquer dificuldade que apareça de uma forma mais realista e menos exagerada, tornando a mente mais forte e apta para encontrar soluções criativas para sua...

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COMPORTAMENTO ALIMENTAR

COMPORTAMENTO ALIMENTAR

Você alguma vez devorou uma caixa inteira de bombom ou comeu um pacote inteiro de biscoito para compensar algum fato ruim ou para se consolar de algo? Saiba que a comida sempre esteve associada não somente ao conforto como também a comemorar algo que foi muito bom ou para compensar alguma situação desagradável. Esse tipo de comportamento está associado à fome emocional que não está ligada a nenhuma necessidade fisiológica, mas a fatores psicológicos sendo um método para a pessoa lidar com o stress ou para compensar alguma emoção negativa que ele ainda não sabe lidar. Com isso, cria-se o círculo vicioso, onde o indivíduo sempre que se sentir ansioso ou triste vai repetir o seu ritual alimentar: buscar o alimento para lhe trazer prazer inicial e logo em seguida vai se sentir arrependido e culpado. Também existe o padrão associado à restrição alimentar. Mediante uma emoção que vai servir como “gatilho”, o indivíduo vai diminuir drasticamente a ingestão de comida com o intuito de se sentir no controle da situação. Como a fome física é ignorada, num curto espaço de tempo vão surgir consequências tanto físicas quanto psicológicas. Portanto, podemos designar as doenças do comportamento alimentar como a Aneroxia, Bulimia e Binge Eating (compulsão alimentar). Estas se caracterizam por um controle extremo com episódios de compulsão alimentar e atitudes compensatórias (vômitos). É muito importante em qualquer um destes casos, procurar ajuda profissional, seja através de psicólogo, grupos terapêuticos, nutricionista e médicos. Todas essas doenças, inclusive a obesidade, pode viver disfarçada por muito tempo. Por exemplo, a pessoa não se importando em ter “uns quilinhos a mais”, ou “estou sem fome” ou mesmo “não tenho vontade de comer”. Qualquer que seja o caminho terapêutico escolhido, é importante que sejam trabalhados sentimentos como ansiedade, impulsividade e tolerância em relação à angústia e...

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Wilhelm Reich e a formação das couraças

Wilhelm Reich e a formação das couraças

Wilhelm Reich nasceu em 1897 na Áustria e faleceu em 1957 numa prisão americana vítima de ataque cardíaco. Ele é ao mesmo tempo um psicoterapeuta e pesquisador sempre considerando as dimensões clínica e política. Para Reich estes dois aspectos não se separam, o individual e o social, o público e o privado. Ao longo de sua vida participou, afastou-se ou foi expulso de várias organizações, pois estas eram instituições em que ação e pensamento não fluíam juntos. Somente depois que se afastou da psicanálise, Reich pode desenvolver seu trabalho no organismo estudando as funções da energia vital e seu processo no sistema nervoso autônomo. Também trabalhou o contato energético entre mãe e bebê, reconhecida como saúde emocional posterior. Reich é considerado o pai das atuais sicoterapias corporais como bioenergética, biodinâmica, biossíntese e orgonoterapia. Durante a clínica, Reich percebeu e estabeleceu relações entre as experiências emocionais relatadas pelos pacientes e as expressões corporais relacionadas a esses relatos. Começou a observar a importância das alterações do tom de voz, respiração, gestos nas mãos, expressões faciais, etc. Com isso, ele reconheceu que a forma de expressão é tão importante quanto seu conteúdo emocional e que forma e conteúdo tinham uma íntima relação entre si. Reich vai se preocupar em “como” o paciente diz e em “como” o seu corpo fala, liberando defesas que são características de determinados sintomas para serem analisadas. Desse aprendizado, passou a reconhecer alguns padrões típicos de comportamento associados a determinados quadros psicopatológicos. Terminou por estabelecer a relação entre a estrutura psíquica (couraça de caráter) e seu correspondente corporal (couraça muscular). Na couraça muscular, Reich vai reconhecer a couraça nas tensões musculares crônicas que vão estar dispostas em feixes transversais à longitude do corpo. São sete níveis ou anéis da couraça: olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve. O encouraçamento é universal, o que vai variar é a intensidade e o significado ideológico. Para Reich, a couraça de caráter se formaria numa defesa contra a ansiedade dos sentimentos sexuais da criança e seu medo de punição. Ele se forma em torno do ego, sendo o resultado do conflito das exigências pulsionais com o mundo externo. Na medida em que as defesas do ego se tornam cônicas e automáticas elas evoluem para traços ou couraça caracterológica. Os prazeres libidinais ficam recalcados e caso o sujeito transgrida, ele vai sentir um medo consciente ou inconsciente de ser punido. Tanto os pais como os educadores vão alimentar esse medo. A cada couraça do ego, existe a couraça muscular equivalente. O físico e emocional estão juntos. Para Reich os tipos caracteriais são moldados a partir de valores culturais. Ou seja, cada cultura produz seus tipos próprios em sua própria época, não sendo...

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