FILME: CISNE NEGRO

FILME: CISNE NEGRO

Quem não teve algum tipo de impacto ao assistir este filme?  Natalie Portman dá vida ao personagem Nina em Cisne Negro e arrebata merecidamente o Oscar de melhor atriz. Vemos no início do filme uma Nina “doce” como denominava sua mãe (Barbara Hersley) e que levava uma forma de vida totalmente voltada para a perfeição e o controle em todos os sentidos.  Podemos ver essa manifestação tanto no seu modo de se vestir, nos cabelos arrumados, nos movimentos estudados e treinados exaustivamente, sua preocupação exagerada em conseguir ser escolhida como bailarina principal da coreografia e também em atender as demadas do diretor (Vincent Cassel).  Este sem conhecer as tendências de Nina, mas percebendo seu talento, diz para ela mostrar seu lado mais pulsional, mais visceral para compor o personagem. Diante desta solicitação, Nina começa a sentir a necessidade de entrar em contato com este lado obscuro travando uma batalha com ela mesma sem saber o que poderá lhe acontecer quando essa caixa de Pandorra for aberta. A princípio Nina vai invejar o potencial da última bailarina (Winona Ryder) em busca de uma nova identidade, diferente da que até então estava acostumada, a sua mãe. A mãe de Nina se mostra amargurada na vida, sem realização feminina e profissional, projetando na filha tudo o que ela acreditava ser considerado como sucesso.  Ao mesmo tempo atua como uma “bruxa má” dos contos de fadas, tentando de tudo para que a filha não cresça, não vire mulher com todos os seus desejos.  Podemos ver isso em vários momentos, inclusive no quanto cor-de-rosa de Nina, bem infantilizado. Este filme possibilitou que vários ângulos pudessem ser analisados e vários diagnósticos fossem sugeridos.  Entre eles temos os transtornos alimentares, automutilação, vários delírios psicóticos que ilustram muito bem toda a angústia do personagem ao entrar em contato com o seu lado sombrio que se encontrava contido.  Quando ele começa a aflorar, aparece de forma agressiva, confundindo realidade e fantasia.  Para se tornar o tão ansiado Cisne Negro, Nina precisa cortar o cordão umbilical que a une a figura materna e como consequência, o Cisne Branco. Com a vitória do Cisne Negro que vive sua total onipotência e gozo, é necessário alcançar o ápice total da perfeição que deve ser levada as últimas consequências através de uma morte real e com isso ganhar o reconhecimento e o sucesso tão desejado. Realmente é um filme que desperta várias opiniões, não é fácil de vê-lo e entendê-lo.  Mas é um filme para sentir o seu lado mais profundo e obscuro que existe em cada um de nós e com isso possibilitar uma reflexão para nossa...

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FILME: PARIS À MEIA-NOITE

FILME: PARIS À MEIA-NOITE

Esse filme de Woody Allen nos faz passear pelo tempo e pelos desejos.  Além de prestar uma bela homenagem à Cidade Luz, nos remete a um tema tão comum que é a nostalgia. Quem nunca sentiu esse sentimento de nostalgia na vida?  Temos saudades de um tempo perdido, uma sensação de completude que imaginávamos que tínhamos e que passamos a acreditar que éramos felizes naquela época.  É muito comum escutar a expressão “eu era feliz e não sabia” perante alguma dificuldade no presente. O presente passa a ter menos importância, ou seja, não é um “presente” que queremos desembrulhar a cada dia para ver o que ele nos traz. No filme o personagem Gil (Owen Wilson) vai de alguma maneira ter acesso a esse tempo perdido trazendo alegrias, surpresas, admiração e acesso a vários mitos conhecidos na história das artes em geral.  Paris vai servir como um pano de fundo acolhedor para o personagem, permitindo-o viver de uma maneira mágica tanto o presente quanto o passado idealizado. É interessante notar que o desejo de Gil vai entrar em “ebulição” num momento crítico de decisões para sua vida.  Está noivo e logo vai casar com uma mulher que a princípio ele acreditava que a amava e também com o término de seu livro.  Ele chega numa Paris atual com sua noiva e sogros, mas com expectativas diferentes em relação ao grupo.  São as badaladas da meia-noite em Paris que vão transportá-lo para sua Paris idealizada da década de 20, com suas festas, romances e celebridades. Na medida em que esses passeios noturnos vão se tornando cada vez mais importante, os laços do presente vão se enfraquecendo.  As figuras fortes e admiradas vão ser os representantes dos seus desejos e com isso ele entra em um processo de percebê-los e passa a questionar seus vínculos e compromissos atuais.  Como esses desejos foram perdidos a ponto de não ser reconhecidos e substituídos pela atenção voltada ao mundo externo, atendendo as suas demandas e se esquecendo de si mesmo? Ao longo do filme também nos mostra um Gil que entrega seu livro para ser avaliado pela grande Gertrude Stein (Kathy Bates).  Mediante o elogio da obra de Gil, podemos notar que muitas obras merecem ser admiradas mesmo não sendo apreciadas no momento como obras de arte pela crítica geral.  Também entrando no conceito da temporalidade, muitas obras podem naquele momento em que foi criada nem serem notadas e com o passar do tempo elas serem vistas como valiosas. É mostrado também no final do filme com uma nostalgia sempre presente, que mesmo os grandes personagens que viveram no final do século XIX tinham inveja de um tempo ainda mais remoto que seria a...

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