FILME: HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO

Posted by on novembro 21, 2013 in Relação de FILMES

FILME: HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO

O filme começa com Juliette (Kristin Scott Thomas) aguardando a irmã Léa (Elsa Zylberstein) que vai levá-la para a casa desta, após Juliette ter estado 15 anos na prisão.  Durante o trajeto até a casa de Léa observamos a falta de diálogo entre as duas, apesar de Léa se mostrar receptiva e contente com o retorno da irmã em sua vida.

Ao longo do filme vemos Juliette muito distante ou como ela era conhecida na prisão como “ausente”.  Tem arroubos de raiva inclusive com a sobrinha e muita culpa. Vai sendo mostrado em vários momentos, a dificuldade de Juliette se reintegrar na sociedade, mesmo tendo um apoio de uma assistente social.  É mostrada em sua primeira tentativa de emprego, a discriminação do patrão que fez questão de saber a causa de sua prisão.  Ao ser relatado que Juliette teria matado seu filho de seis anos, a mesma foi obrigada a se retirar imediatamente, mostrando que geralmente as pessoas só se preocupam em um determinado “diagnóstico”, não querendo saber o contexto da situação. Também é mostrada diversas vezes a preocupação do marido de Léa de deixar as filhas sob os cuidados de Juliette. Neste caso, é importante indagar os conceitos de “inocente” e “culpado”.

Juliette é médica e com seu conhecimento decide que a melhor forma de estancar o sofrimento do filho de seis anos seria a eutanásia.  Essa decisão é somente dela, não foi compartilhada com o marido e muito menos com os familiares.  Vemos um aspecto de onipotência da personagem achando que somente ela teria a decisão sobre a vida de alguém e inclusive ela escolhe não se defender durante o julgamento.  Tanto o marido como os familiares se afastam totalmente dela e seus pais a consideravam “morta” e mais ainda “uma filha que nunca existiu”.

A irmã Léa que na época tinha sete anos é criada segundo as instruções paternas de abandono total da irmã.  É travada uma batalha psicológica em Léa que tinha laços muito fortes com a irmã: “apagou” determinados momentos significativos com a irmã, mas guarda escondido dos pais uma espécie de diário onde registrava quantos dias a irmã estava ausente da sua vida.  Também houve outra consequência, a adoção de duas meninas apesar dela e o marido não terem problemas de fertilização.  Ela confessa para a irmã que teve medo de acontecer a mesma coisa que aconteceu com ela, como se o ocorrido pudesse ser uma espécie de maldição ou doença.

O filme começa a dar indícios de modificação na vida de Juliette quando a filha mais velha de Léa insiste na atenção da tia, e isso vai fazendo com que ela aos poucos ela vá   se relembrando do que é o afeto, o amor e o prazer de estar com uma criança e também com as pessoas.  Além do empenho da irmã em praticamente todos os momentos do filme, também contribuiu a aproximação de um professor amigo da irmã, Michel, que tinha passado por uma situação parecida com Juliette.  Esta começa a se sentir mais compreendida em sua dor e começa aos poucos a relatar tudo o que tinha acontecido inclusive de como era na prisão.

Juliette começa a sair aos poucos de seu luto, um luto só seu do qual ela nunca compartilhou com ninguém, se irritando com quem procurava interferir de alguma forma na sua dor, principalmente quando era para ela retornar à vida.  Ela tinha morrido junto com o filho e também com seus atos tinha também morrido para a família e o mundo, se tornando “ausente” e indiferente a tudo e a todos.

Vemos a importância de compartilhar sua dor, primeiramente com Michel e já no final do filme, presenciamos o início da abertura de suas muralhas internas ao se confessar à irmã todos seus pensamentos onipotentes e o custo de sua decisão: sua ausência da vida.

O final do filme é muito interessante, pois é quando Michel a chama na parte de baixo da casa e Juliette responde duas vezes que “eu estou aqui”, confirmando que agora ela estava presente para a vida! 

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