Transtornos da alimentação

Posted by on março 28, 2016 in Artigos

Transtornos da alimentação

O comportamento alimentar é mais do que atender simplesmente as necessidades do organismo, pois também está ligado tanto ao prazer de experimentar algo saboroso como também ao aspecto social.

As calorias são utilizadas para a manutenção do nosso corpo e também para atender as atividades do meio externo. Essas calorias vão variar de acordo com cada pessoa dependendo de sua estrutura corporal e das atividades que pratica. Se o que ela consome for maior do que ela gasta, o restante é armazenado em forma de gordura.

Antigamente a comida era escassa, mas atualmente vemos uma grande diversidade de alimentos oferecidos nos supermercados fazendo com que a obesidade tenha aumentado assustadoramente chegando a ser considerada epidêmica.
Ao mesmo tempo apesar de tanta oferta de alimentos temos uma preocupação com a beleza que vem também passando por transformações ao longo do tempo. Em algumas culturas antigas, as pessoas obesas eram símbolo de poder e fartura e nas mulheres em especial significava fertilidade. No entanto atualmente é valorizada a mulher magra que vai ser apresentada na mídia em geral, nos hábitos sociais e na indústria da moda.

UMA ANÁLISE DA DIMENSÃO PSÍQUICA DOS TRANTORNOS ALIMENTARES

Na realidade, os transtornos alimentares é multifatorial, na qual atuam vulnerabilidades e fatores predisponentes: genéticos, biológicos, temperamento, personalidade, família, estressores (sociais, perdas, lutos), etapa do ciclo vital (adolescência), cultura e dietas.

A abordagem psicodinâmica refere-se a uma compreensão do psiquismo em seus processos dinâmicos. Está fundamentada nos princípios da teoria psicanalítica. Visa compreender e elaborar conflitos intrapsíquicos a serviço da reestruturação, reorganização e desenvolvimento da personalidade. O sintoma consiste em uma comunicação simbólica que oculta e ao mesmo tempo revela aspectos inconscientes sobre um conflito subjacente.

A psicoterapia cria um espaço potencial para a busca de significados que permitam ao paciente sair da fixidez determinada pelos sintomas. Evidenciam-se paradoxos nos pacientes acometidos por transtornos alimentares, na alternância entre uma grande voracidade por relacionamentos em oposição à capacidade de isolamento e abandono dos mesmos. Apresentam dificuldades em encontrar uma distância suficientemente boa do outro. Os pacientes realizam viradas violentas em suas vidas: oscilam rapidamente de relações extremamente idealizadas à rupturas radicais. Reagem com hostilidade decepções, frustrações e ansiedade em decorrência do medo de separação, mas também pelo medo da intrusão.

Introduzindo uma perspectiva de desenvolvimento do narcisismo, lança-se um olhar para a criança que não se vê como separada do meio ambiente, da mãe, de quem a olha e de quem a cuida. Segundo Lacan, a fase do espelho designa um momento na história do indivíduo que se inicia aos seis meses de idade até os dezoito meses, na qual a criança forma uma representação de sua imagem corporal por identificação com a imagem do outro. A imagem do corpo é estruturante para a identidade do sujeito, que através dela realiza a sua identificação primordial, estabelecendo a representação do próprio corpo.

O sujeito se olha ao espelho, ou espera o olhar de um alguém, uma palavra, uma situação que evoque o especular materno. Em casos de equilíbrio precário do narcisismo – em que a mãe não foi capaz de devolver uma imagem percebida em sua alteridade, integrada e acima de tudo amada e desejada mesmo na sua incompletude temos uma existência aprisionada a uma angústia que se revela na relação com a imagem do corpo.

No caso do obeso, o mesmo em algumas vezes sente um misto prazer entre chocar as pessoas de sua família com o seu tamanho e o comer escondido por vergonha da grande ingestão alimentar.

Segundo Winnicott, ao nascer o bebê é totalmente dependente de sua mãe ou de quem faz a maternagem, necessitando quantas vezes for necessário do seu olhar, toque, ser embalado por sua voz e sentir seu cheiro. O corpo vai se constituindo aos poucos através desses atos e pela qualidade emocional deles, onde o bebê vai diferenciando através das sensações de prazer e desprazer.

Os fatores emocionais vão ser de grande importância para a maturação do indivíduo, que através dos cuidados maternais adequados facilitarão a estruturação da personalidade indo desde a dependência total absoluta, passando pela dependência relativa até a independência. Também é nessa relação mãe-bebê que é importante no processo de “esquecimento da mãe”, onde ela passa a ser introjetada pelo bebê e este vai passar a suportar a sua presença/ausência.

Os transtornos alimentares vão estar ligados à diferenciação do eu/não-eu, mostrando que se esse processo de maternagem não for “suficientemente bom” vai apresentar dificuldades, podendo advir várias variantes tanto de abandono quanto de intrusão.

No processo de independência, o bebê vai introjetar a mãe e vai simbolizá-la numa realidade externa. O objeto bom é reencontrado no mundo externo e introjetado no eu, representando a realidade psíquica no campo subjetivo e a realidade externa na realidade material.

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