Avaliação psicológica

Abrir uma avaliação e escolher os instrumentos

O processo ligado ao paciente, a finalidade que a resolução exige, o catálogo do SATEPSI filtrado por idade e o alerta de norma vencida antes da aplicação.

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A avaliação psicológica é organizada como processo, não como documento solto. Ele fica ligado ao paciente e guarda os instrumentos, as datas de aplicação e o laudo em construção.

Abrir o processo

Em Avaliação psicológica, abra um processo novo e informe:

  • o paciente;
  • a finalidade: orientação escolar, seleção, avaliação para procedimento, o que for.

A finalidade não é enfeite: é a primeira coisa que a Resolução CFP 06/2019 exige no laudo, e é o que decide quais instrumentos fazem sentido. Ela também aparece na ressalva final do documento, que diz que ele não serve a finalidade diferente da declarada.

Escolher os instrumentos

O catálogo é o do SATEPSI, com nome, sigla, faixa de idade e validade da norma de cada instrumento.

A lista já filtra pela idade do avaliado, calculada da data de nascimento na ficha. É o que evita a aplicação inadequada mais comum: usar a versão infantil num adolescente, ou o contrário.

O alerta de norma vencida

Quando a norma de um instrumento está vencida ou perto de vencer, o aviso aparece na hora de escolher, antes da aplicação.

É o único momento em que o aviso serve para algo. Depois de aplicado, saber que a norma venceu não desfaz a aplicação, e o problema aparece meses depois, num laudo questionado com o trabalho já entregue.

Atenção. O catálogo é uma cópia de trabalho que mantemos atualizada. A fonte oficial é o site do SATEPSI, no CFP, e em caso de divergência é ela que vale. O alerta é uma ajuda, não uma garantia jurídica.

Montar a bateria de uma vez

Em Adicionar, o diálogo não fecha a cada instrumento: você marca os seis da bateria e clica em Pronto no fim. O que já está na avaliação aparece com já na avaliação, e não entra duas vezes.

As escalas prontas da biblioteca conferem a idade do paciente antes do clique. Se nenhuma tabela da norma cobre aquela idade, a linha diz Fora da faixa da norma e escreve o motivo por extenso — "a norma vai até 16 anos e 11 meses". O instrumento continua disponível: aplicar fora da faixa e ler qualitativamente é decisão clínica. Nos pacotes sugeridos, adicionar um instrumento nessa situação pergunta antes.

Se um instrumento do pacote não está na sua biblioteca, o pacote diz quantos ficaram de fora, em vez de entregar a bateria pela metade sem aviso.

Registrar a aplicação

Cada aplicação guarda o instrumento e a data. Isso responde a pergunta que atrapalha reavaliação: o que já foi aplicado neste caso, e quando. Reaplicar antes do intervalo que o instrumento exige é erro técnico, e o registro é a única defesa contra ele.

O campo Aplicado em já vem com a data de hoje. Se você está lançando uma folha aplicada em outro dia, troque: é a idade na data da aplicação que decide qual tabela normativa serve, e é essa data que o laudo cita no Procedimento.

Remover um instrumento ou um respondente

A lixeira pergunta antes e diz o que vai junto: quantos respondentes, quantas respostas marcadas, quantas medidas apuradas. Não há volta — as respostas e os escores saem com o instrumento.

No resultado de um instrumento com mais de um respondente, o botão Remover fica ao lado de quem está selecionado, com o nome dele, e a confirmação repete o nome e quantos itens ele respondeu.

Se a avaliação já gerou laudo, a remoção é recusada: a Resolução CFP 06/2019, art. 15, manda guardar por cinco anos o documento e todo o material que o fundamentou.

O histórico é do paciente, não do processo. Uma reavaliação dois anos depois abre processo novo e continua vendo o que foi feito no primeiro.

A correção

Escalas e inventários de uso livre corrigem sozinhos. Você marca as respostas, ou digita o escore se preferiu aplicar no papel, e o sistema soma, aplica a faixa e mostra a classificação com o ponto de corte que a publicação define. Itens invertidos, domínios em porcentagem (os quatro do WHOQOL-BREF, a porcentagem de incapacidade do WHODAS 2.0) e medidas derivadas por fórmula (B−A do Trilhas, total FAS da fluência, total A1–A5 do RAVLT) saem da conta certa sem você fazer nada.

As contas que o sistema passou a fazer

Onde a forma de cálculo está publicada em fonte aberta, ela vem pronta — e a citação da fonte fica no código, não na sua memória:

  • d2-R: total de erros (EO + ET), desempenho de concentração (OAP − TE) e porcentagem de erros ([(EO+ET)/OAP]×100). Você digita o que contou na folha; as três saem sozinhas.
  • RAVLT: além do total A1–A5, as três razões — interferência proativa (B1/A1), retroativa (A6/A5) e velocidade de esquecimento (A7/A6).
  • WISC-IV e WASI: a soma dos ponderados de cada índice e do QI Total. Digite o ponderado de cada subteste e a soma aparece; a conversão da soma no escore composto continua sendo a tabela do seu manual.

Nas somas Wechsler o campo continua editável, de propósito: o manual autoriza substituir um subteste principal invalidado por um suplementar, e aí a trinca é outra. A soma é um padrão que cede ao que você digitar, não uma trava.

Duas ficaram de fora e vão continuar até que a fonte resolva: o WAIS-III, porque duas publicações abertas discordam sobre Armar Objetos entrar no QI de Execução, e o QI Total de dois subtestes da WASI, porque a literatura tem mais de um par possível. Nesses, o campo é seu.

Nos testes de desempenho, a conversão para percentil, escore z e classificação acontece quando existe tabela normativa para o recorte de quem foi avaliado: idade, anos de estudo, escolaridade e sexo. A tabela mais específica vence a geral, e fora do recorte da amostra o sistema não converte: ele diz o que falta em vez de usar a tabela do grupo vizinho, que é o erro que não parece erro no papel.

Cada número convertido sai com a fonte impressa ao lado: manual ou artigo, edição, tabela. É o que permite conferir, e é o que o laudo precisa mostrar.

O intervalo de confiança e a classificação vêm do manual, e não de uma convenção nossa: o intervalo sai do erro padrão de medida que o manual publica, no nível que ele usa (por isso aparece "IC 95%" ou "IC 90%"), e a classificação usa as faixas e os rótulos dele. Quando o manual cadastrado não traz uma das duas, a linha diz isso — em vez de mostrar um número sem margem, ou um rótulo que ninguém publicou.

Quando nada calcula

Três motivos, e a tela diz qual é:

"Não corrige sozinho — falta a definição". O instrumento entrou pela ficha do SATEPSI, que é o registro oficial do teste, e não pela definição da biblioteca, que é o que o sistema usa para calcular. O botão Definição, na mesma linha, abre onde cadastrá-la: é uma vez por instrumento e vale para todos os seus pacientes.

Falta a data de nascimento na ficha do paciente. A norma de desempenho é escolhida por idade; sem ela o sistema não escolhe tabela, e diz isso na linha da medida.

Nenhuma tabela cobre esta pessoa. A amostra normativa cadastrada não tem o recorte dela — idade, anos de estudo, escolaridade. O sistema não usa a tabela do grupo vizinho.

Primeira vez aqui

Ao abrir sua primeira avaliação, um tour de cinco passos mostra as etapas, onde escolher o instrumento e o que faz um instrumento calcular ou não. Sai com Esc e não volta; se quiser rever, os primeiros passos ficam no painel.

De onde vêm as tabelas

Três origens, e a diferença importa:

  1. Normas de acesso aberto, que já vêm no sistema com a citação completa: Teste de Trilhas, fluência verbal (adultos e 60+), desenho do relógio, MEEM, span de dígitos, além dos instrumentos de uso livre da OMS. Aqui a norma é a do próprio instrumento.
  2. Norma de referência da literatura, para baterias que você aplica com o manual da editora: NEUPSILIN, RAVLT, Figura Complexa de Rey, FDT, d2-R e G-38 já saem convertendo em percentil e escore z, a partir de média e desvio de amostra brasileira publicada em revista ou tese de acesso aberto. Não é a tabela do seu manual, e a citação ao lado de cada número diz exatamente de qual amostra ele veio, com o tamanho dela. Serve de referência enquanto você não cadastra a sua; quando cadastrar, a sua vale.
  3. A tabela do manual que você licenciou. Para instrumentos publicados por editoras, o sistema traz a estrutura (quais subtestes existem, o que cada um vale) e você cadastra a tabela do seu manual, seja uma linha ou uma planilha inteira, colando ou enviando arquivo. Fica na sua conta, e a conversão passa a ser automática dali em diante.

Uma consequência prática da segunda origem: onde a norma é de artigo, não há classificação nem intervalo de confiança. Artigo publica média e desvio, não os rótulos ("Médio inferior") nem o erro padrão de medida — esses são do manual. A linha mostra o percentil e diz o que falta, em vez de exibir um rótulo que ninguém publicou.

Até que idade a norma que já vem no sistema vale

Norma não cobre o instrumento inteiro: cobre a faixa da amostra que a publicou. Fora dela o sistema apura o bruto e não converte — e diz quais faixas as tabelas cobrem, para você saber se o caso é cadastrar a sua.

InstrumentoA norma que já vem cobre
Teste de Trilhas7 a 11 anos e 18 a 64 (tempo de A e B); erros e B−A: 19 a 39, com 5 anos de estudo ou mais
Fluência verbalAnimais: 4 a 6 anos e 7 a 64; F, A e S: a partir de 7
Span de dígitos6 a 16 anos e 19 a 75 anos (Corsi, nenhuma)
NEUPSILIN19 a 90 anos
RAVLT20 a 59 anos (com 8 anos de estudo ou mais) e 60 a 89 anos
Figura Complexa de Rey6 a 10 anos e 60 a 75 anos
FDT8 e 9 anos e 56 a 86 anos
d2-R, MEEM, desenho do relógiopor escolaridade, sem recorte de idade

Duas dessas linhas merecem atenção, porque a diferença entre a idade do teste e a idade da norma é onde se erra:

O FDT converte aos 8 e 9 anos, e depois só a partir dos 56. No meio não há norma nossa, e não é descuido de cadastro. Nas outras idades o sistema não converte: a normatização brasileira do FDT existe — são 1.033 pessoas de 6 a 92 anos, registradas no SATEPSI — e foi publicada só no manual comercial. Não há estudo aberto que cubra essa faixa. Se você licenciou o manual, cadastre a tabela dele; é o caminho da terceira origem, e passa a valer na hora.

A faixa de 8 e 9 anos vem de um estudo brasileiro com 207 escolares de escola pública, e cobre as dez medidas do teste — as quatro etapas em tempo e erro, mais inibição e flexibilidade. Existem normas espanholas grandes para 6 a 18 anos e elas não foram usadas: dois estudos espanhóis publicam, para criança de 7 anos, tempos de leitura que diferem em nove segundos entre si. Norma que discorda de si mesma nessa magnitude descreve a curva de desenvolvimento, não classifica um caso.

Na fluência de animais, a faixa de 4 a 6 anos vem de amostra pequena. São trinta crianças por idade, de um único município, coletadas em 2002, e a categoria aplicada foi "bichos" com uma regra própria: seres de fantasia contaram como erro e animais pré-históricos como acerto. Tudo isso está escrito na fonte, ao lado do número, porque nessa faixa não existe nada melhor publicado em acesso aberto — e é você quem decide se o caso comporta essa referência. Para as letras F, A e S não há norma abaixo dos 7 anos: a fluência por letra depende de alfabetização.

No Trilhas, a norma infantil tem uma ressalva que você precisa conhecer. As duas amostras brasileiras abertas de 7 a 11 anos vêm do mesmo grupo de pesquisa e da mesma adaptação, que nunca foi publicada — não dá para conferir o que ela muda em relação ao Trilhas clássico que as normas adultas usam. Usamos a maior delas, com 151 crianças, e a ressalva está escrita na fonte, ao lado do número.

Nessa faixa há duas camadas: se a ficha tem os anos de estudo, vale a célula do ano escolar da criança; se não tem, vale a da amostra toda. A leitura de "2º ano" como dois anos de escolaridade é nossa, não do artigo, e isso também está dito na fonte. Entre 12 e 17 anos não há norma: o que existe é um estudo de conveniência com quarenta adolescentes de uma escola.

No RAVLT, a norma de 20 a 59 pede oito anos de estudo. A amostra que a publicou era toda de gente com pelo menos oito anos de escola, e os próprios autores registram que isso a torna melhor que a população geral. Quem tem menos não é descrito por ela, e o sistema não converte — aplicar assim mesmo rebaixaria o resultado por comparação indevida. Nessa faixa o RAVLT também usa o sexo, quando ele está na ficha: a tabela do sexo é mais específica e vence a geral. Sem o dado, a geral responde; a conversão não para por causa dele.

Na Figura de Rey, a norma infantil vem de aplicação coletiva. A amostra de 6 a 10 anos foi avaliada em grupos de cerca de 18 crianças, e não uma a uma como manda o uso clínico comum — a diferença está escrita na fonte, ao lado do número, porque ela pesa na leitura. O intervalo entre a cópia e a evocação também não é declarado pelo artigo, que chama a medida de memória imediata. Entre 11 e 59 anos não há norma nossa: as amostras brasileiras dessa idade publicaram só análise qualitativa ou gráfico, e a faixa adulta está no manual. O tipo de construção, o tempo, a evocação tardia e o reconhecimento seguem sem norma em qualquer idade.

No span, os dígitos convertem e o Corsi não. A norma de 6 a 16 anos vem da amostra de normatização brasileira do WISC-III, com 801 escolares, e só cobre dígitos. Para os blocos de Corsi não existe amostra brasileira aberta com tamanho que sustente norma em idade nenhuma — a única grande está atrás de assinatura. Então metade do instrumento converte e a outra metade continua pedindo a tabela do seu material. Entre 17 e 18 anos também não há: a fonte escolar para aos 16 e a adulta começa aos 19, e não existe célula limpa no vão.

Uma diferença que vale conferir antes de usar o resultado: o span é o maior comprimento que a pessoa evocou, e não muda com a forma aplicada; os acertos dependem de quantas séries a sua folha tem. A norma escolar usa a forma de oito séries na ordem direta e sete na inversa, e isso está escrito na fonte de cada linha, ao lado do número.

No Trilhas, tempo e erro têm coberturas diferentes. O tempo converte de 18 a 64 anos, inclusive para quem tem menos de 5 anos de estudo. O escore de erros e o B−A vêm de outra amostra, que exigiu 5 anos de escolaridade e foi de 19 a 39 anos — então há caso em que o tempo converte e o erro não. É a estratificação dizendo a verdade: as duas medidas não foram normatizadas na mesma gente.

Abaixo dos 18 anos o Trilhas não tem norma nossa, e não é descuido. Para 4 a 6 anos não existe média nem desvio publicados em fonte aberta brasileira; para 7 a 11, o que existe tem células de oito a onze crianças de uma escola só. Amostra desse tamanho não sustenta o percentil de um laudo.

Algumas baterias continuam sem norma nossa, e vão continuar: WISC-IV, WAIS-III, WASI, Torre de Londres, BFP, AOL e TEM-R-2. Nas Wechsler, o que transforma bruto em ponderado é a tabela da editora e não existe equivalente publicado; nas outras, ou o dado aberto usa outra versão do teste, ou não existe. Nessas, o caminho é a terceira origem.

O que o sistema não faz

Não distribui tabela de editora. Não reproduzimos as normas de instrumentos publicados por editoras: elas são o miolo da obra que você comprou. A norma de referência da literatura não é exceção a isso — ela vem de artigo e tese abertos, e é por isso que traz média e desvio de uma amostra publicada em vez da tabela de conversão do manual. É por isso também que a terceira origem acima existe: a tabela do manual é sua, e é você quem a cadastra.

Não reproduz o instrumento. Os itens dos testes protegidos não estão aqui. O catálogo traz o que é informação pública do SATEPSI; cadernos, folhas de resposta e manuais continuam sendo adquiridos das editoras.

Não assina a leitura clínica. A análise de IA escreve um rascunho a partir dos escores e da finalidade. Ela organiza, não conclui. Quem interpreta, assina e responde é você.

Não verifica se você pode aplicar. Restrições de uso privativo, de formação ou de curso do instrumento são responsabilidade de quem aplica.

Quem tem acesso

Avaliação é conteúdo clínico: só o dono da conta e profissionais alcançam. O acesso de secretaria não abre avaliação, do mesmo jeito que não abre prontuário.

Avaliação de outro profissional

Quem tem leitura do prontuário de toda a clínica enxerga a avaliação de um paciente de outro profissional, mas não escreve nela. O topo da tela diz Somente leitura, e a avaliação inteira fica assim: sem Adicionar, sem lixeira, sem Responder, sem campos editáveis na apuração, na interpretação e no laudo, e sem os botões de IA. Nada é gravado sozinho, então não aparece erro de salvamento a cada pausa.

A mesma trava aparece quando o seu perfil de acesso não inclui aplicar avaliação — aí a etiqueta diz isso, e não "de outro profissional".

O que fazer em seguida

A lista de instrumentos fecha com uma faixa que diz o que falta e qual é o próximo gesto — "Falta responder o GAD-7", e ao lado o botão que abre justamente aquilo. Com mais de um pendente, ela nomeia o primeiro e lista os outros.

Seguir sem apurar continua sendo possível: bateria planejada para a semana que vem, laudo parcial. Aí o botão é Escrever o laudo assim mesmo. O laudo pode ser escrito, mas só é emitido com todos os testes apurados: teste sem resposta não fundamenta laudo. Se um teste não vai ser aplicado, remova-o antes de emitir.

O panorama de avaliações

Em Avaliação psicológica, a lista separa as avaliações em Em andamento, Emitidas, Concluídas sem laudo e Canceladas, com o número de cada uma. Cada linha mostra as três etapas — quantos testes estão apurados, quantas seções do laudo estão escritas e o laudo emitido — e um botão com o próximo passo. Excluir, cancelar e reabrir ficam dentro da avaliação, no menu ⋯.

O passo a passo da tela

Abaixo das etapas há Como esta tela funciona. Ele abre um passo a passo curto sobre onde fica cada coisa — instrumentos, laudo, emissão, e o que calcula sozinho e o que depende da definição do manual.

Ele não abre sozinho. Fica com um ponto ao lado enquanto você não o tiver visto, e some depois.