Avaliação psicológica

Corrigir um instrumento e ler o percentil

O escore bruto vira percentil, classificação e escore convertido. O que a tela pede antes de converter, como se escolhe a amostra normativa, e o que "nenhuma tabela cobre" quer dizer.

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Depois de aplicar o instrumento, você digita o escore bruto e o sistema devolve o percentil, a classificação e o escore convertido que o manual daquele teste usa — ponto ponderado, escore T, escala-v, pontuação-padrão, conforme o caso.

A correção acontece dentro do processo de avaliação, na aba do instrumento aplicado.

O que o sistema precisa saber para converter

A tabela normativa certa depende de quem foi avaliado. O sistema usa o que está na ficha do paciente e deduz o resto pela idade. Você só mexe quando quer trocar a tabela:

  • idade, calculada da data de nascimento;
  • sexo, quando o manual publica normas separadas;
  • escolaridade ou anos de estudo, nos instrumentos que estratificam por isso;
  • rede de ensino — escola pública ou particular —, em alguns testes brasileiros;
  • amostra normativa, quando o instrumento tem mais de uma para o mesmo perfil.

Se ainda assim falta um dado que decide a tabela, a linha da medida diz qual falta em vez de simplesmente não converter.

Você não preenche nada disso. Com a idade — que sai da data de nascimento e da data de aplicação —, o sistema encontra sozinho a norma certa, por eliminação: das cinco amostras do Teste de Trilhas, quatro são de adulto e não cobrem uma criança de nove anos. Sobra uma, e não há escolha a fazer.

No alto da tela de apuração aparece uma linha dizendo contra o que os escores estão sendo comparados — "Comparando com Crianças (Montiel) · rede pública". Ela é informação, não formulário. Quando a norma só olha idade, ela diz isso numa linha curta, ou nem aparece.

Quando duas normas servem de verdade, o sistema usa a de maior amostra — entre curvas igualmente aplicáveis, a de n maior tem erro padrão menor — e diz qual usou, com a alternativa ao lado e a troca a um clique. Escolher em silêncio entre duas tabelas válidas seria decidir no seu lugar.

Se você trocar, a escolha fica guardada na aplicação, e não na ficha do paciente. É de propósito: a criança muda de série entre a primeira e a terceira sessão da bateria, e o teste compara com a série em que ela estava no dia.

Trocar refaz a conversão de todos os escores já digitados daquele instrumento. É outra tabela: o número anterior descreveria outra pessoa. Voltar o campo para "automático" devolve a decisão ao sistema.

A escolha da amostra

Alguns instrumentos publicam mais de uma norma para a mesma pessoa. Acontece em três situações:

  • o manual traz normas regionais — o NEUPSILIN-Inf tem Porto Alegre e São Paulo, e a criança paulista não se compara com a curva gaúcha;
  • o teste tem formulários diferentes — no SRS-2, na Vineland-3 e no SDQ, o professor vê a criança na escola e o cuidador a vê em casa, e os pontos de corte não são os mesmos;
  • existe uma edição anterior da norma, guardada para que laudo antigo continue reproduzindo.

Nesses casos o sistema usa a amostra de maior n e diz isso em destaque — "Mais de uma norma serve para este caso. A plataforma usou…" —, com as outras ao lado. Se você aplicou o caderno de outra amostra, troque em trocar a tabela: quem aplicou sabe qual caderno usou.

Quando aparece "nenhuma tabela cobre"

Essa mensagem não é erro do sistema. Ela quer dizer que o manual não publica norma para aquela combinação — aquela idade, aquela escolaridade, aquele subteste.

É informação, e das úteis: aplicar um instrumento fora da faixa normativa dele é falha técnica, e é melhor descobrir na correção do que no laudo pronto.

Quando isso acontecer, confira a faixa etária do instrumento no catálogo. Se a idade estiver dentro e mesmo assim não converter, provavelmente falta o dado que a tela pediu logo acima.

Faixa etária com buraco no meio. A faixa de um instrumento não é sempre contínua. Vários juntam um estudo com crianças e outro com adultos, feitos por equipes diferentes, e entre os dois fica um vão sem tabela nenhuma. Três exemplos da biblioteca:

InstrumentoOnde converteQuem fica de fora
Teste de Trilhas4 a 14 e 18 a 69 anosdos 15 aos 17
Stroop de Victoria7 a 14 e 18 a 69 anosdos 15 aos 17
Torre de Londrestrês trechos8,5 a 10,9 · 15 a 18,9 · 33 a 59,9

Ao montar a bateria, o instrumento que não converte para a idade daquele paciente aparece marcado fora da norma, com o trecho que falta escrito por extenso. Ele continua disponível — aplicar fora da faixa normativa e ler o resultado qualitativamente é decisão clínica legítima. O que o sistema não deixa acontecer é você descobrir isso depois de aplicar.

A conta acontece enquanto você digita

Não há botão de calcular. Meio segundo depois de você parar de digitar um bruto, a linha mostra o convertido, o percentil, a classificação e a fonte da tabela que converteu — e o rodapé diz "convertendo…" enquanto a conta acontece, para meio segundo de silêncio não parecer travamento.

O índice que soma ponderados — o ICV, o IMO e os outros das escalas Wechsler — aparece junto, sem esperar gravação: assim que os subtestes que o compõem têm resultado, a soma sai. E o quadro de discrepâncias e o gráfico de perfil leem os mesmos números da tela, então dá para decidir se vale aplicar um subteste suplementar durante a apuração, que é quando essa decisão é tomada.

Nada disso pede salvamento: a gravação é automática, e o rodapé diz quando o que você digitou já está guardado.

Se você corrigir um número, o resultado daquela linha é refeito. Isso vale também para o índice: mudar o ponderado de um subteste refaz a soma na hora, e não no salvamento seguinte.

Se você corrigir a data de aplicação, todos os escores daquele instrumento são reconvertidos pela idade nova — a tabela normativa depende da idade, e um ano de diferença atravessa faixa em quase todo manual infantil. O que você tiver digitado à mão sobrevive à troca: só o que veio de tabela é refeito.

Discordar da tabela: "ajustar"

Cada linha convertida tem ajustar, que abre o convertido e a classificação para você digitar o que leu no seu manual. O que você digita vence a tabela.

Com o convertido ajustado, a linha mostra só o que você digitou e a etiqueta ajustado por você. Percentil, escore z e intervalo de confiança somem da linha: eles são a leitura do número que a tabela devolveu, e não descrevem o seu.

Usar a tabela desfaz o ajuste de verdade: o que você digitou é apagado e a conversão volta a ser a da norma.

De onde saiu o número

Embaixo de cada convertido, pela tabela do manual abre a citação completa — manual ou artigo, edição, tabela. É o que você confere contra o papel antes de assinar.

Cadastrar a tabela do seu manual

Em Tabelas normativas (ver e cadastrar), a idade vai em anos, com fração para os meses. O "até" inclui o ano inteiro: 6,99 cobre até 6 anos e 11 meses, e a criança com 7 anos e 0 mês já é da tabela seguinte. As duas faixas não se sobrepõem.

Enquanto falta alguma coisa — a fonte, a colagem, uma faixa que a conferência recusou —, o rodapé do diálogo diz o que falta, ao lado do botão.

Se já existe tabela para aquele subteste, o sistema mostra quais são antes de gravar: cadastrar de novo o mesmo recorte substitui a que está lá.

Cadastrar o corte do manual (escalas que só somam)

Nas escalas que somam e não classificam, Cadastrar corte do meu manual pede as faixas e a fonte do corte — manual, edição, página. A fonte é obrigatória e fica gravada com a definição.

Antes de salvar, a tela confere as faixas entre si: duas faixas que se sobrepõem (o mesmo escore cairia nas duas) e um intervalo que nenhuma cobre (escore sem classificação) aparecem escritos, e o botão só libera quando elas fecham.

Responder na tela: itens em branco

No modo de resposta, Concluir com item sem resposta mostra quais ficaram, com o número de cada um para ir direto até ele. Item em branco não vale zero, e o rodapé passa a dizer parcial ao lado do escore. Concluir assim mesmo é legítimo — há item que não se aplica.

As setas para cima e para baixo atravessam de um bloco para o outro, e o item em foco sempre entra na tela.

Concluir e reabrir as respostas

Quando termina de marcar, use Concluir (no modo resposta) ou Concluir respostas (no resultado e na tabela de desempenho). A partir daí as marcações e os brutos ficam travados: o resultado mostra Respostas concluídas em data e hora, e o botão vira Ver respostas, que abre em leitura. É assim que o escore que foi para a interpretação e para o laudo não muda sem ninguém ver.

Se precisar mudar — o respondente marcou na coluna errada, um bruto foi digitado trocado —, use Reabrir respostas e diga o motivo. O motivo e o escore que valia ficam registrados, e as marcações voltam a ser editáveis até você concluir de novo. Sair do modo resposta pelo X ou pelo Esc é pausa: não conclui.

Cadastrar a tabela do manual continua reconvertendo o que já foi lançado, inclusive o que está concluído: a trava é do que o respondente fez, não da conversão.

Corrigir sem abrir avaliação

Em Avaliações › Corrigir um teste:

  • no computador, a lista fica à esquerda e o teste escolhido à direita: trocar de teste não obriga a rolar a lista de novo. Filtre pela área (atenção, humor, funções executivas…) nos botões acima da lista;
  • trocar de teste zera tudo — marcações, brutos e resultado. As respostas de um teste não passam para o seguinte;
  • se a norma do teste é por faixa etária, a idade é obrigatória, e o botão diz que ela falta antes de você digitar os brutos;
  • Corrigir fica fixo no rodapé, com a contagem do que já foi preenchido;
  • mudou um bruto, a idade ou uma marcação depois de corrigir? O resultado fica marcado desatualizado e Copiar só volta a funcionar depois de corrigir de novo;
  • a contagem de quem converte soma as tabelas que vieram com a plataforma e as que você cadastrou;
  • instrumentos cujos enunciados estão no manual da editora aparecem com Corrigir pelo número: você marca pela numeração, com a folha do teste ao lado.

Quando o instrumento está pronto

No fim da tela de apuração há o fecho: quantas medidas converteram, e — quando alguma não converteu — o motivo, agrupado. Num WISC-IV com 73 medidas, "40 medidas aguardando o bruto" responde o que quarenta linhas repetidas não respondem.

Medida que não converteu vai para o laudo assim mesmo: com o bruto, sem percentil. É o correto — norma inventada é pior que número ausente.

Terminada a bateria, a tira no fim da etapa de instrumentos leva para o laudo. Ela diz o que ainda não foi apurado e não impede de escrever: a aplicação pode continuar na semana que vem. Mas o laudo só é emitido com todos os testes apurados. Teste que não vai entrar, remova-o da avaliação.

A síntese por função

Depois de apurar, a etapa de instrumentos mostra a Síntese por função: todos os resultados da bateria numa tabela só, agrupados pela função cognitiva de cada instrumento — eficiência intelectual, funções executivas, atenção e memória, e assim por diante.

Ela existe para o momento de escrever a análise. Ler uma bateria de oito instrumentos abrindo oito telas é como um número é transcrito errado; aqui o bruto, o convertido, o percentil e a classificação de cada medida estão lado a lado, na ordem em que a bateria se monta.

A mesma síntese abre o relatório de resultados em PDF, antes do detalhamento de cada instrumento. Só aparece quando há mais de um instrumento apurado: com um só, ela repetiria a tabela que vem logo abaixo.

A análise de discrepâncias (WISC-IV e WAIS-III)

Nas escalas Wechsler, o resultado não termina no escore. O manual manda comparar índices entre si, subtestes entre si, e cada medida com a própria média — e publica, para cada comparação, o valor crítico e a frequência acumulada.

Assim que os escores convertidos entram, o quadro Análise de discrepâncias aparece abaixo da folha de escores, com uma linha por comparação:

  • a diferença, com sinal, para dizer para que lado a balança pende;
  • o valor crítico do manual — e ele muda com a idade, quando o manual publica tabela por faixa etária. Se o paciente tem data de nascimento no cadastro, o sistema usa a tabela da idade dele; sem nascimento, usa a da amostra geral, que é o que o manual publica para esse caso;
  • se a diferença é significativa (p<0,05);
  • a taxa base: quantos por cento da amostra normativa apresentam diferença desse tamanho.

As duas últimas colunas respondem perguntas diferentes, e é por isso que as duas estão lá. Uma diferença de dez pontos entre o ICV e o IOP pode ser estatisticamente significativa e aparecer em quarenta por cento das crianças normais — significativa, e banal. A mesma diferença em dois por cento é achado.

Quando o manual só publica limiares — 1%, 2%, 5%, 10% e 25% —, a taxa base sai em faixa ("> 2% e < 5%"). O sistema não interpola: a norma não diz quanto vale o que está entre dois limiares, e um número inventado no meio viraria citação de manual no laudo.

No WISC-IV a taxa base ainda muda com o nível de habilidade. Um ponto de diferença entre ICV e IOP aparece em 47,6% das crianças de QI médio e em 53,8% das que têm QI Total abaixo de 79. Se o QI Total já foi apurado, o sistema usa a tabela da faixa dele e mostra qual foi; sem QI Total, usa a da amostra geral.

Algumas comparações não são teste de significância. As comparações clínicas entre clusters usam um limiar de raridade, e a coluna do veredito diz "Raro" em vez de "Sim (p<0,05)" — porque é o que o manual diz, e chamar aquilo de significativo atribuiria à comparação um teste que ninguém fez.

Quando o manual publica uma hipótese para a diferença, ela aparece logo abaixo da linha, junto com a sugestão de intervenção. São textos do manual, e mudam com o sentido: "Raciocínio Fluido acima de Processamento Visual" e o inverso têm leituras opostas.

O quadro abre com o total de comparações significativas e, por padrão, mostra só elas. O WISC-IV tem quarenta e quatro comparações cadastradas e o WAIS-III, oitenta e cinco; a lista inteira fica a um clique, para conferir contra o manual.

As mesmas comparações saem no relatório de resultados em PDF — ali com as não significativas também, porque em tabela a linha "Não" informa que a comparação foi feita — e as significativas viram frase na seção Resultados do laudo.

Os clusters CHC e a interpretabilidade (WISC-IV)

Os quatro índices fatoriais são a estrutura da escala. Os oito clusters são outra leitura da mesma aplicação, na taxonomia de Cattell-Horn-Carroll: juntam dois ou três subtestes que medem a mesma habilidade estreita e devolvem um composto próprio, com percentil e intervalo de confiança.

Servem para o que os índices não respondem. Um IOP de 95 com Cubos 13 e Conceitos com Figuras 6 não descreve ninguém — mas Gv alto contra Gf-nonverbal baixo descreve: a habilidade visual concreta está preservada e o raciocínio com estímulo não verbal não está.

O sistema calcula sozinho a soma dos ponderados de cada cluster, e o campo continua editável — o manual autoriza substituir um subteste invalidado, e a soma automática passaria a somar a trinca errada.

Junto vem a dispersão: a diferença entre o maior e o menor ponderado das medidas que compõem cada escore.

  • cluster e índice fatorial: a partir de 5 pontos, o composto é média de coisas diferentes e não se interpreta;
  • QI Total, GAI e CPI: a partir de 23 pontos compostos entre as medidas que os compõem.

O sistema mostra o composto com o aviso ao lado, e não o esconde. A planilha original escondia; esconder um número que o profissional calcula à mão não impede o uso indevido — só o deixa sem o aviso.

No WAIS-III existe o equivalente: os mesmos oito clusters (com outra composição de subtestes, que é a que o manual do WAIS publica), a dispersão entre os subtestes de cada índice (homogêneo abaixo de 5) e a dispersão entre conjuntos de subtestes, com a porcentagem da amostra que apresenta cada tamanho — publicada para oito conjuntos, porque a dispersão de seis medidas não se compara com a de catorze.

Os índices e os clusters agora saem classificados: "Média Superior", "Superior", e assim por diante, ao lado do composto e do percentil. É a palavra que o protocolo imprime e a que vai para o laudo.

O teste-idade (WISC-IV)

Além do ponto ponderado, o WISC-IV converte o bruto em equivalente teste-idade: "este desempenho é o de uma criança de 7 anos e 2 meses". É a leitura que fala com a escola e com a família, e a que mostra evolução entre duas aplicações.

Ela lê o mesmo escore bruto do subteste, então o sistema preenche sozinho. Código e Procurar Símbolos têm duas tabelas, uma para 6 e 7 anos e outra para 8 a 16 — o sistema escolhe pela idade do paciente.

Os escores de processo

O WISC-IV e o WAIS-III têm medidas que o protocolo apura além dos subtestes principais, e elas ficam num bloco próprio na folha de escores:

  • Cubos sem bonificação de tempo, Dígitos em ordem direta e em ordem inversa separados, Cancelamento aleatório e estruturado;
  • a sequência maior de dígitos alcançada em cada ordem, que o manual lê por frequência acumulada e não por ponto ponderado.

Elas respondem "por que este subteste saiu baixo": Cubos baixo com Cubos sem bonificação normal é lentidão, não é raciocínio perceptual.

A diferença entre as duas sequências maiores é calculada pelo sistema — é subtração, e na folha de papel ela era feita à mão entre duas linhas recém-escritas.

Escalas que se leem por contagem de sintomas

Algumas escalas não se leem pela soma. Na SNAP-IV, o critério do manual conta quantos itens foram marcados em "Bastante" ou "Demais": seis de nove na desatenção, seis de nove na hiperatividade, quatro de oito no comportamento opositor.

A diferença é clínica, não decorativa. Nove itens marcados "Só um pouco" somam 9 e não são sintoma nenhum; seis marcados "Demais" somam 18 e são o quadro inteiro — e os dois passariam pela mesma faixa de soma.

Nessas escalas o sistema mostra as duas leituras: a soma com a faixa dela, e a contagem com o critério. A contagem aparece assim que os itens marcados bastam, mesmo com a escala incompleta, porque o critério é "pelo menos N sintomas".

Na ASRS-18 a contagem segue a área sombreada da folha da OMS, que não é igual em todos os itens: em sete deles o sintoma conta a partir de "Algumas vezes", nos outros onze só a partir de "Frequentemente". Seis sintomas num domínio (desatenção ou hiperatividade-impulsividade) é compatível com o critério A do DSM — não é diagnóstico. A soma do domínio aparece, mas sem faixa: não há corte brasileiro para ela.

O rastreio de seis itens é a ASRS Parte A, que é outro instrumento na biblioteca. Até outubro de 2026 ela trazia três itens da Parte B no lugar de três da Parte A. A versão corrigida entrou com os seis itens da OMS, e a antiga saiu da biblioteca. Quem já a aplicou continua vendo a aplicação como foi feita, com o escore gravado na hora. Se um laudo seu se apoiou nela, vale reaplicar a Parte A corrigida.

Escalas sem ponto de corte

Algumas escalas de uso livre não têm classificação publicada no Brasil: a Escala de Autoestima de Rosenberg, o PSWQ (preocupação) e o AAQ-II (inflexibilidade psicológica). Nelas o resultado traz o escore e um recado no lugar da faixa, dizendo como ele se lê: como contínuo, comparado com a média de referência publicada ou com a medida anterior da própria pessoa.

O sistema não inventa um "alto" que a validação não traz. No OCI-R, o único corte do total é o internacional (21, Foa 2002), e a classificação diz isso. As seis subescalas (lavagem, verificação, ordenação, obsessão, acumulação e neutralização) mostram a soma sem faixa.

Escalas que se leem pela média, e não pela soma

Nem todo instrumento soma. No QEDP, cada fator é a média dos itens dele, e cada estilo é a média dos fatores — é assim que o número se compara com a norma: média 4,3 e desvio 0,6 são valores da escala do item, e a soma dos cinco daria 21,5, que não se compara com nada.

Nessas escalas o sistema mostra o escore da subescala com o z e o percentil ao lado, e a classificação sai do z. O total não aparece: somar a média do apoio afetivo com a da punição produziria um número que norma nenhuma lê.

O que o sistema não faz

Não inventa norma. Onde o manual imprime faixa em vez de número — "percentil entre 20 e 25" —, não há número para guardar, e o campo fica vazio em vez de receber um valor aproximado.

Não corrige tabela do manual. Alguns instrumentos têm erro de impressão conhecido, e há tabelas que a origem marca como pendentes de errata. Essas não entram, e o instrumento fica sem aquela conversão específica — em vez de converter com um número que ninguém conferiu.

Não distribui enunciado de teste protegido. Alguns instrumentos entram só com a estrutura de correção: você soma as escalas no papel, digita os escores e recebe a classificação. É o caso do SDQ, cujo formulário se baixa no site dos autores.

Não decide o significado clínico. O percentil e a classificação são conversões estatísticas. A leitura é sua, e o laudo é assinado por você.

Um aviso sobre escalas de sintoma

Em instrumentos de sintoma — ansiedade, TDAH, comportamento —, pontuação alta significa mais sintoma, e não melhor desempenho. A classificação segue a convenção do manual do instrumento, então "Superior" numa escala de ansiedade quer dizer mais ansiedade.

Vale conferir o sentido da escala antes de transcrever a classificação para o laudo. É a mesma leitura que se faz no papel, e ela não muda por estar na tela.

"Corrigem agora" e "Esperam tabela ou enunciados"

A lista de Corrigir um teste abre no recorte corrigem agora e agrupada por domínio. O recorte Esperam tabela ou enunciados reúne o que ainda não dá para corrigir, e cada linha diz qual é o motivo:

  • falta colar os enunciados — a escala é licenciada e veio só com a numeração dos itens. O texto está no manual da editora, e colar é uma vez por instrumento.
  • espera a tabela do manual — teste de desempenho cuja conversão é da editora. Cadastre a tabela normativa uma vez e ele passa para "corrige agora".

Instrumento com tabela da plataforma já entra em "corrige agora" — o WISC-IV, por exemplo, com as 738 tabelas carregadas. Antes ele aparecia como "sem tabela cadastrada" e a tela mandava transcrever à mão o que já estava lá.

O que a barra de etapas diz

A legenda de cada etapa responde o que falta, e não um placar:

  • Instrumentos — "nenhum respondido ainda", "faltam 2 de 5" ou o número cheio quando tudo está apurado.
  • Laudo — quantas seções exigidas pela Resolução CFP 06/2019 ainda estão em branco.
  • Emissão — "espera o laudo", "espera a apuração", ou os dois. É exatamente o que a etapa confere antes de liberar.

Instrumento sem nenhuma resposta não conta como apurado. Isso mudou: antes, uma escala recém-adicionada nascia com escore zero e a plataforma a tratava como apurada — a barra dizia "1 de 1", a emissão liberava e o rascunho da IA podia escrever sobre um teste que ninguém aplicou.

A ação de cada linha, em "Corrigir um teste"

A lista abre pelo recorte Corrigem agora, e cada linha traz o botão do estado dela:

  • Corrigir — o teste converte com o que a plataforma ou a sua clínica já tem;
  • Corrigir pelo número — é um instrumento licenciado sem os enunciados. Os itens estão numerados, e você responde com a folha do manual ao lado;
  • Cadastrar norma — abre o teste já com o diálogo da tabela do manual. Antes esse caminho só aparecia depois de digitar os brutos e ver que nada converteu.

Os quatro últimos testes que você corrigiu ficam como atalho no topo, acima da lista. Eles são lembrados neste navegador — trocar de computador começa a lista de novo.